Em um remoto sistema solar, existia um planeta, bem diferente de Pandora. Muitas coisas saíram errado durante o seu processo civilizatório mas, acidentalmente, um  revolucionário meio de comunicação em massa, interligando todos os sistemas de comunicação de dados surgiu. Livre de interferência governamental (porque no início não acreditavam nele), este meio começou a cobrar seu preço, divulgando informações “classificadas” e limitando o controle do governo e o poder das grandes Empresas, sobre as pessoas.

Nesse planeta, existia uma nação mais poderosa que todas as outras e, nessa nação, por sua vez, existia uma Empresa também mais poderosa que todas as demais. Não tardou para que a serpente se infiltrasse no paraíso e, uma relação incestuosa entre Poder e Economia se estabelecesse entre ambos. A Empresa, ambicionava sobretudo, ganhar muito dinheiro “maximizando os lucros de seus acionistas”. Ao governo, interessava na mesma medida, encher os seus grandes bancos de dados com informação de todo e qualquer tipo que pudesse ser obtida por tal Empresa.

Para conseguir se manter no topo, sobrepujando a todos os seus concorrentes, essa Empresa foi bem além das demais, repassando aos orgãos de segurança, antecipada e expontâneamente todas as informações cadastrais de seus Clientes, não interessando quem fosse o usuário e nem o tipo de serviço contratado nem se era grátis ou pago: Jogos, chat, email, cartões de crédito, criança ou adulto, tudo era repassado aos ditos “orgãos de segurança”, para armazenamento estratégico e por prazo de tempo ilimitado.

É claro, vazaram indicios e documentos apontando as práticas questionáveis de tal Empresa, atentando contra o sigilo e a liberdade individual de seus  desavisados clientes mas estes, indiferentes ao que se passava, não perceberam que tendo todas as suas ações, dados, preferências e todo o tipo de informação sendo antecipadamente sabidas, permitiriam a essa mesma Empresa e a esse mesmo Governo se antecipar decisivamente, bloqueando qualquer ideia ou ação que não lhes parecesse conveniente, negando a liberdade individual e o direito ao sigilo.

E assim, no final, a Corporação se manteve no poder, o Governo permaneceu no poder e as pessoas foram final e completamente submetidas permitindo  a ambos, Empresa e Governo para sempre fazerem as duas coisas que mais gostavam: Ganhar dinheiro sem nada de útil dar em troca e dominar todas as pessoas de todas as nações. Tudo em nome da “Livre Iniciativa” e da “Democracia”, palavras estas que, curiosamente, tinham nesse planeta, um significado completamente diferente daquilo que ambos praticavam.

Aqueles que se sentirem deprimidos ao lerem este conto (ficcional), me desculpem, mas nem todas as histórias de ficção são apenas ficção e, muito menos, têm um final feliz.

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Minhas fontes de inspiração para escrever este Post:
Wikileaks
Computerworld